terça-feira, 8 de abril de 2014

Reflexão


OLHE PARA A CRUZ E O CALVÁRIO A SUA VOLTA
Texto: Lucas 18.9-14
Autor: Pastor Leonardo Theodoro de Aquino
Olhe primeiro para a cruz de Cristo, depois para si mesmo, então, somente após isto, olhe para quem está ao seu lado, porque a visão do sacrifício nos mostrará quem realmente nós somos: pobres, nus, humilhados e pecadores. Partindo deste ponto, entenderemos o nosso próximo. Escolhendo este caminho, brotará em nós o olhar da misericórdia e não o arrogo da superioridade, a solidariedade e não o desprezo, o perdão e não o “olho por olho”, a entrega e não o possuir, a união e não a desunião, o companheirismo e não o abandono, e a solidariedade que é bastante viva quando existe o sofrimento. O pecado é uma doença que coloca todos no mesmo barco, o barco da aflição.
A parábola descrita por Jesus é para nós hoje, os remidos, um alerta para que não sejamos como o fariseu, que aferia a sua proximidade e o agradar a Deus por seus atos de justiça. “Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus; não vem das obras, para que ninguém se glorie.” (Efésios 2:8-9).
A nossa prática religiosa pode tirar os nossos olhos do calvário, nos colocando na posição de observadores, aquele que tudo já viu e não enxerga mais a necessidade de ficar contemplando a cena da crucificação, permitindo que se apague da sua memória a imagem do contorno do madeiro, os pregos cravados nas mãos e nos pés do filho de Deus e o rosto ensanguentado do nosso Senhor clamando em alta voz, dizendo: “Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem. (Lucas 23.34)"; “Eli, Eli, Lamá sabactâni? O que quer dizer: Deus meu, Deus meu, porque me desamparaste? (Mateus 27. 46)” e por último, o grito que nos salvou: “Quando, pois Jesus tomou o vinagre, disse: está consumado! E, inclinando a cabeça rendeu o espírito (João 19.30)”.
Os olhos humanos, para melhor contemplar e entender o que está a sua frente, tem que ver de perto e de longe, pois somente a aproximação não nos fará perder os detalhes das coisas que estão à volta do objeto observado. Porém, o cristão fariseu, muitas vezes está muito preocupado com os detalhes da lei, deixando de olhar em volta e enxergar os motivos da  revelação divina,  que seria: a corrupção voluntária do gênero humano, sem exceção, pelo  pecado, fazendo ascender a  ira de Deus - que só não foi maior que o seu amor - nos condenando a morte. Mas que no lugar de nos consumir,  sentenciou a si mesmo enviando o Seu Filho para morrer e nos salvar.
Tem muitos cristãos como o fariseu da bíblia, por esta razão o Senhor muitas vezes se distancia como o juiz iníquo e no tempo certo abre a porta e julga a causa (Lucas 18.1-8), e quando o coração entende a nossa dependência, percebemos a graça, e corremos como criança para os seus braços, para nunca mais sairmos dele (Lucas 18.15-17).
 O publicano estava afastado da cruz e viu em seu contorno o cenário geral, e quando se aproximou viu os detalhes e reagiu com o mais profundo desespero, batendo no seu peito e entendendo que precisava do Senhor e do seu favor imerecido: o perdão dos seus pecados. Um homem que encontrou o seu verdadeiro eu: limitado, pobre, despido diante do seu Deus e pai, entrando em profundo pânico, querendo correr e não tendo para onde correr, pois sabendo que não tinha mais para onde ir ou para quem recorrer, batendo então no seu peito desesperadamente gritando por socorro, pedindo: desça Senhor da Cruz me socorra com o seu sangue. 
 O publicano, diferente do fariseu, refletiu e saiu justificado por ter um coração grato e devedor a Deus, e não credor em busca de pagamento como os fariseus, achando que os seus atos de justiça o faziam merecedor de algo.
 Se os nossos atos de justiça nos fazem andar de cabeça erguida perante Deus, é porque não entendemos nada sobre a Graça e muito menos sobre Deus. Que não saiamos da posição de publicanos, que desceu justificado, para sermos iguais ao Fariseu que foi rejeitado por Ele (Lucas 18.9-14).