OLHE PARA A CRUZ
E O CALVÁRIO A SUA VOLTA
Texto: Lucas 18.9-14
Autor: Pastor Leonardo
Theodoro de Aquino
Olhe
primeiro para a cruz de Cristo, depois para si mesmo, então, somente após isto,
olhe para quem está ao seu lado, porque a visão do sacrifício nos mostrará quem
realmente nós somos: pobres, nus, humilhados e pecadores. Partindo deste ponto,
entenderemos o nosso próximo. Escolhendo este caminho, brotará em nós o olhar
da misericórdia e não o arrogo da superioridade, a solidariedade e não o
desprezo, o perdão e não o “olho por olho”, a entrega e não o possuir, a união
e não a desunião, o companheirismo e não o abandono, e a solidariedade que é
bastante viva quando existe o sofrimento. O pecado é uma doença que coloca
todos no mesmo barco, o barco da aflição.
A parábola descrita por Jesus é
para nós hoje, os remidos, um alerta para que não sejamos como o fariseu, que
aferia a sua proximidade e o agradar a Deus por seus atos de justiça. “Porque pela graça sois salvos,
por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus; não vem das obras, para
que ninguém se glorie.” (Efésios 2:8-9).
A
nossa prática religiosa pode tirar os nossos olhos do calvário, nos colocando
na posição de observadores, aquele que tudo já viu e não enxerga mais a
necessidade de ficar contemplando a cena da crucificação, permitindo que se
apague da sua memória a imagem do contorno do madeiro, os pregos cravados nas
mãos e nos pés do filho de Deus e o rosto ensanguentado do nosso Senhor
clamando em alta voz, dizendo: “Pai, perdoa-lhes,
porque não sabem o que fazem. (Lucas 23.34)"; “Eli, Eli, Lamá sabactâni? O
que quer dizer: Deus meu, Deus meu, porque me desamparaste? (Mateus 27. 46)”
e por último, o grito que nos salvou: “Quando,
pois Jesus tomou o vinagre, disse: está consumado! E, inclinando a cabeça
rendeu o espírito (João 19.30)”.
Os
olhos humanos, para melhor contemplar e entender o que está a sua frente, tem
que ver de perto e de longe, pois somente a aproximação não nos fará perder os
detalhes das coisas que estão à volta do objeto observado. Porém, o cristão
fariseu, muitas vezes está muito preocupado com os detalhes da lei, deixando de
olhar em volta e enxergar os motivos da revelação divina, que seria: a corrupção voluntária do gênero
humano, sem exceção, pelo pecado, fazendo
ascender a ira de Deus - que só não foi
maior que o seu amor - nos condenando a morte. Mas que no lugar de nos consumir,
sentenciou a si mesmo enviando o Seu Filho
para morrer e nos salvar.
Tem
muitos cristãos como o fariseu da bíblia, por esta razão o Senhor muitas vezes
se distancia como o juiz iníquo e no tempo certo abre a porta e julga a causa (Lucas 18.1-8), e quando o coração entende a
nossa dependência, percebemos a graça, e corremos como criança para os seus
braços, para nunca mais sairmos dele (Lucas 18.15-17).
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